Nota Técnica – Uso da Dexametasona no tratamento da COVID-19


Em junho de 2020, pesquisadores britânicos da Universidade de Oxford publicaram um estudo demonstrando os efeitos benéficos do uso Dexametasona em pacientes hospitalizados com COVID-19. Os principais resultados da pesquisa incluem a redução de 1/3 na taxa de mortalidade em pacientes submetidos à ventilação mecânica, e de 1/5 em pacientes que recebem oxigênio complementar. Já para pacientes que não apresentavam dificuldades para respirar, a Dexametasona não trouxe qualquer benefício. Segundo o estudo, o uso da Dexametasona não é recomendado em crianças, grávidas, lactantes, pessoas com quadros leves, e para uso nos primeiros 7 a 10 dias do início dos sintomas (momento no qual a resposta viral é mais relevante).

Frente a esses resultados preliminares, hospitais brasileiros introduziram o medicamento e outros corticoides dentro do quadro de terapias farmacológicas para os casos graves de COVID-19.

Vale ressaltar que a eficácia da Dexametasona contra a COVID-19 também vem sendo estudada em pacientes graves no Brasil. A pesquisa, realizada pelo grupo Coalizão COVID Brasil, foi iniciada em abril, e os primeiros resultados devem ser publicados em agosto.

O ensaio clínico pode ser consultado na íntegra:

https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT04381936?term=dexamethasone&cond=covid-19&cntry=GB&draw=2&rank=1

  1. Controle da dispensação da Dexametasona

A dispensação da Dexametasona requer a apresentação da receita médica. Contudo, a maioria das drogarias no Brasil dispensa esse tipo de medicamento mesmo sem a apresentação da receita (o que infringe a legislação sendo portanto passível de penalidades – Nota: CRF-ES) e com isso, o risco de desabastecimento desse medicamento aumenta. Sendo assim, para evitar a procura desse medicamento nas farmácias e o uso indiscriminado, algumas medidas de controle foram tomadas:

  • Pedido de inclusão da Dexametasona na lista de medicamentos de controle especial

Em junho de 2020, o médico infectologista David Uip solicitou a Câmara que analisem a possibilidade de restringir a dispensação do medicamento à retenção de receita de controle especial, como feito com a Nitazoxanida. Até o momento, não há conclusão. Entretanto, por ser medicamento de tarja vermelha, o farmacêutico está respaldado ao recusar a venda se não houver apresentação da receita médica.

  • Comunicado da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT)

Sendo a Dexametasona um medicamento de baixo custo e fácil acesso em drogarias, a SBPT emitiu um comunicado para evitar a procura desenfreada pelo medicamento, como ocorreu com a Hidroxicloroquina.

Em resumo, a SBPT enfatiza que o uso de Dexametasona sem orientação médica não é seguro, uma vez que alguns efeitos colaterais do uso indevido do medicamento podem ser mais perigosos que o próprio COVID-19, como distúrbios hidroeletrolíticos, alterações músculoesqueléticas e gastrintestinais, reações dermatológicas, distúrbios psiquiátricos e danos nos sistemas endócrino, oftálmico, metabólico, imunológico, hematológico e cardiovascular. Ainda reforçam que o uso em pacientes graves hospitalizados que recebem oxigênio ou ventilação mecânica deve ser realizado de forma cautelosa, e que a adoção dessa terapia deve ser discutida analisando cada caso, enquanto os resultados definitivos do estudo não forem publicados.

Leia o comunicado da SBPT na íntegra:

https://sbpt.org.br/portal/wp-content/uploads/2020/06/dexametasona_covid_sbpt.pdf

  1. Orientações ao Farmacêutico

Informe ao cliente:

  • Os resultados benéficos foram demonstrados apenas em pacientes graves e hospitalizados, submetidos à ventilação mecânica ou oxigênio complementar;
  • O estudo não demonstrou benefício algum em pacientes que não apresentavam dificuldades para respirar;
  • A Dexametasona não é indicada para quadros leves, e seu uso inadequado nos primeiros dias de sintomas pode piorar o quadro infeccioso, uma vez que a replicação viral nesse período é acentuada, e o medicamento tem efeito imunossupressor;
  • A dispensação do medicamento é feita somente mediante receita médica;
  • O uso inadequado do medicamento pode reduzir a imunidade do consumidor, o deixando mais vulnerável a algumas infecções;
  • Alguns dos efeitos adversos da Dexametasona são a retenção de líquidos e o aumento da glicose circulante, o que pode potencializar casos de hipertensão e diabetes, respectivamente;
  • A procura desenfreada pelo medicamento pode dificultar o acesso àqueles com doenças que necessitem do imunomodulador.

 

  1. Sobre a Dexametasona

A Dexametasona é um corticosteroide, destinado ao tratamento de condições nas quais os efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores dos corticosteroides são desejados, especialmente para tratamento intensivo durante períodos mais curtos. Pode ser encontrada na forma farmacêutica de comprimidos e elixir.

O uso desse medicamento é contraindicado em casos de:

  • Infecções fúngicas sistêmicas;
  • Hipersensibilidade a sulfitos ou a qualquer outro componente da formulação;
  • Administração de vacinas de vírus vivo;
  • Lactação, exceto sob orientação médica.

Além disso, a Dexametasona tem o potencial de interação com outros medicamentos, e por isso seu uso deve ser feito com cautela quando em uso com:

  • Ácido acetilsalicílico

Efeito da interação: Aumento do risco de ulceração gastrintestinal e concentrações séricas subterapêuticas de aspirina.

  • Fenitoína, fenobarbital, efedrina, rifampicina

Efeito da interação: Diminuição da eficácia da dexametasona devido a aumento do seu metabolismo hepático.

  • Varfarina e outros anticoagulantes cumarínicos.

Efeito da interação: aumento do risco de sangramento ou diminuição do efeito do anticoagulante.

Alguns efeitos adversos do medicamento incluem: retenção de líquidos, aumento de peso, arritmia, linfopenia, níveis elevados de açúcar no sangue, fraqueza muscular, osteoporose, aumento do apetite, menstruação irregular, dificuldade em cicatrizar feridas, problemas ou doenças na pele, inchaço nos lábios ou língua, convulsões, problemas psicológicos como alterações de humor ou dificuldade de julgamento, aumento da sensibilidade para contrair infecções, úlcera gastrintestinal.

Fonte: Bula da Dexametasona, disponível no bulário eletrônico da ANVISA.

Link: http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmResultado.asp#

 

Orientações Técnicas:
Dr. Luiz Carlos Cavalcante
Polyanna Caliari (estagiária)

 

 

Comunicação do CRF-ES
Gestão 2020/2021

 

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