|
Jovens arriscam a saúde tomando medicamentos 30/06/2009 Uma das características dos adolescentes e jovens é estar sempre em busca de novas experiências e sensações, mesmo que isso signifique uma transgressão ou exposição a riscos. E esse desejo tem feito com que muitos consumam medicamentos para disfunção erétil sem ter nenhum problema, eles simplesmente buscam uma melhor performance sexual. O que muitas pessoas não sabem é que os medicamentos para disfunção erétil não funcionam como um afrodisíaco que vai renovar a vida sexual. Eles não têm efeito sobre a fertilidade ou sobre o desejo, impulso e apetite sexuais, mas são usados para o tratamento de problemas de ereção. Aproveitando essa margem, o medicamento, por ser vendido nas farmácias sem necessidade de controle especial ou receita médica, ou ainda no mercado negro (como é o caso do Pramil), está virando combustível para esse público em festas onde o objetivo é namorar e se divertir. Num giro rápido pela Internet ou ainda nas comunidades virtuais é possível não só comprar os medicamentos, principalmente o Pramil, como também conhecer os relatos de experiências destes adolescentes e jovens em busca do prazer. Na maior parte, os anúncios dos medicamentos não têm uma pessoa responsável e são feitos a partir de e-mail onde não é possível identificar quem está oferecendo e também quem está comprando. Além dos remédios para dificuldade de ereção, encontram-se anúncios de remédios para emagrecer, como sibutramina, Desobesi, Inibex, que necessitam de receita para a compra, e também de outros, como o Rivotril. Muitos jovens usam esses medicamentos para se drogar, principalmente quando misturados ao álcool. Venda pela Internet A coordenadora da Central de Informações sobre Medicamentos (CIM), da Universidade Federal do Ceará, Mírian Parente, destaca que a venda de medicamentos pela Internet é um problema que tem que ser combatido pelo poder público e sociedade. “Pela Internet se compra todo tipo de medicamento e as pessoas estão totalmente expostas aos riscos disso. Existe também o comércio paralelo de medicamentos como as anfetaminas e diazepínicos, que exigem receituário, mas que não se trata de contrabando, como o Pramil.” Já para a presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF-CE), Marize Girão, a propaganda gera uma necessidade de consumo desses medicamentos que não existe. “Não existe uma necessidade real, a necessidade de consumir o Pramil, muitas vezes, é como a necessidade de comprar uma roupa nova. É a questão do ter, de experimentar, da curiosidade dos jovens. É responsabilidade nossa estar alertando sobre os sérios riscos decorrentes disso. O medicamento pode se tornar uma grave arma se usado inadequadamente”, ressalta. ENTREVISTA - ARIEL SCAFURI* Uso recreativo de remédios pode causar ansiedade e baixa-estima Quais são as causas da disfunção erétil? As causas se dividem em psicológicas e orgânicas. As causas orgânicas podem ser de origem arteriogênica, ou seja, arterial, que estão relacionadas ao baixo influxo de sangue pelos vasos entupidos, ou de origem neurogênica, por distúrbio da condução do estímulo nervoso através dos nervos do pênis. Jovens de 19 a 25 anos têm cerca de 1% de disfunção, enquanto indivíduos acima de 60 anos podem ter até 60% de dificuldade de ereção. Quem utiliza os medicamentos para disfunção erétil com fins recreativos pode criar alguma dependência? Física com certeza não. Agora, uma dependência psicológica eu diria que sim, no sentido de que o indivíduo pode desenvolver uma ansiedade de desempenho em relação ao não uso do remédio. Qual o efeito do uso indiscriminado desses medicamentos? Observamos que a ansiedade de desempenho relacionada a falhar no ato sexual sem o uso da droga causa insegurança e baixa auto-estima nas pessoas que não têm dificuldade de ereção. Esses medicamentos contém drogas cujos efeitos são muito bem conhecidos, mas têm que ser usados com bastante cuidado. Indivíduos que têm problemas cardíacos não podem utilizá-los sem acompanhamento ou ainda os que estão em uso de outras substâncias associadas. Além disso, podem causar queda de pressão arterial. O problema é que as pessoas encaram como brincadeira. Não fazem o uso responsável e acham que está tudo bem porque é remédio. O senhor tem conhecimento sobre o remédio contrabandeado Pramil? O Pramil utiliza a mesma droga do Viagra, o sildenafil. A diferença é que ele tem origem duvidosa. Ele é um remédio que chega ao Brasil pelo Paraguai, cuja produção não foi autorizada pela Pfizer, indústria que possui a patente do Viagra. Da mesma forma que o medicamento é contrabandeado, as substâncias utilizadas para sua fabricação também podem ser. É o mesmo caso da rede ilícita que envolve a cocaína, heroína e crack. Existe comprovação da sua eficácia? Se ele é produzido ilegalmente, imagine como são os processos de fabricação. Não se trata da comprovação, mas da segurança que está consumindo. * Urologista e doutor em Urologia pela Universidade de São Paulo (USP) Fonte: www.crfce.org.br
|
|||||||
| Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo Av. Joubert de Barros, 371 – Bento Ferreira – Vitória – ES – CEP 29050-725 – Fone: [27] 2127 - 8200 |
|||||||