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Mudança de remédio causa danos 19/04/2009 Fortaleza - Com a mudança do medicamento de referência por um similar pela Sesa, médicos e familiares dizem que há alteração no quadro clínico de pacientes com problemas psiquiátricos. Secretário-executivo diz que princípio ativo é o mesmo. Pacientes com problemas psiquiátricos não estão apresentando os mesmos resultados positivos desde que a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) substituiu o medicamento de referência por um similar. Este é o relato de psiquiatras e familiares, que reclamam da piora significativa no quadro psicótico dos pacientes. O secretário-executivo estadual da Saúde, Arruda Bastos, afirma que o princípio ativo, a clozapina, é o mesmo. A medicação à base de clozapina é utilizada por pacientes com problemas de esquizofrenia e transtornos esquizoafetivo e bipolar. E é necessário um acompanhamento hematológico contínuo, pois o medicamento pode provocar agranulose, que é uma alteração nos glóbulos brancos. O remédio está na lista do Programa de Distribuição de Medicamentos de Alto Custo do Ministério da Saúde e é disponibilizado gratuitamente no Hospital Mental de Messejana e no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). São aproximadamente 1 mil pacientes beneficiados no Ceará. De acordo com a psiquiatra Valéria Novaes, do HUWC, desde que o Leponex, do laboratório Novart, foi substituído pelo Lifalclozapina, da Lifal, os pacientes que fazem tratamento no HUWC apresentaram uma mudança de comportamento, com maior agitação, delírio, alucinação e agressividade. Uma aposentada, que não quis se identificar, também percebeu que o filho começou a reagir negativamente ao tratamento desde o fim do ano passado, com o novo medicamento. Quando ela chegou à reunião da Associação em Defesa da Saúde Mental, descobriu que outras mães encontravam-se na mesma situação. “Eu luto muito pela inclusão do meu filho na sociedade. Ele estava reagindo bem, indo à faculdade e participando do grupo da igreja. Mas foi só mudar o medicamento para ele piorar”, afirma. Um dos questionamentos levantados pela psiquiatra Valéria Novaes é sobre o controle de qualidade desses medicamentos que são substituídos por licitação. “Pode ser que, neste novo medicamento, o princípio ativo não esteja presente na mesma quantidade que no anterior”, acredita. O secretário-executivo da Saúde refuta a idéia, avisando que o laboratório é reconhecido pela Anvisa e comercializado em mais sete estados do Brasil. A Coordenadoria da Assistência Farmacêutica (Coasf) também confirmou a boa procedência do medicamento. “Adquirimos a medicação de um laboratório que tem todas as certificações da Anvisa. Nós compramos pelo princípio ativo, e não pela marca do laboratório”, argumenta Bastos. Ele ainda comenta que o remédio começou a ser distribuído há um ano e que não tem informações sobre a queda no quadro clínico dos pacientes. Esta não é a primeira vez que a Sesa substitui o medicamento e provoca o descontentamento de médicos e pacientes. Em dezembro de 2008, O POVO noticiou a apreensão dos profissionais dos serviços de transplantes do Ceará. O motivo era a substituição de uma medicação de referência por uma similar no tratamento de pacientes transplantados. SAIBA MAIS Medicamentos genéricos Medicamentos de referência Medicamentos similares E-Mais - Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a substituição da medicação de referência pela similar não é segura. - De acordo com o secretário-executivo estadual da Saúde, Arruda Bastos, o medicamento disponibilizado no Ceará, é também distribuído no Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Goiás, Tocantins, Pará e Distrito Federal. - O filho da dona-de-casa Rosalina Oliveira sofre de esquizofrenia. O rapaz iniciou o tratamento com o remédio Leponex há quatro anos e teve melhora no quadro clínico. Os problemas começaram a surgir desde que o remédio foi substituído pela Sesa. “Ele começou a apresentar efeitos colaterais e entrar em crise”. Viviane Gonçalves |
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