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Jaldo de Souza Santos,
Presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF).
E-mail presidência@cff.org.br

Os farmacêuticos não fazem nenhum
favor em servir bem à sociedade

O ensino é a raiz as profissões. Quando um profissional apresenta serviços de alta qualidade à sociedade, certamente, o ensino que ele recebeu, na Universidade, foi bom. Em sentido contrário, a insuficiente qualificação profissional é uma radiografia da deficiência do ensino que ele recebeu. Acontece que os cidadãos não podem correr riscos de receber, por exemplo, serviços de farmacêuticos desqualificados. Por isso, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) vai desencadear uma ação nacional, com o objetivo de acompanhar, subsidiar e cobrar das faculdades de Farmácia resultados quanto à qualidade do ensino farmacêutico.
A sociedade brasileira, em hipótese alguma, deve aceitar cuidados de profissionais da saúde mal qualificados, porque isso é um risco à integridade de cada cidadão. Os farmacêuticos, por sua vez, não fazem nenhum favor em servir bem. Pelo contrário, têm obrigação, nesse sentido.
E o CFF, por força de lei e por obrigação social, tem o dever de zelar pelos interesses da sociedade no que diz respeito aos serviços prestados pelos farmacêuticos, quaisquer que sejam as suas áreas de atuação: nas indústrias de medicamentos, de alimentos, de cosméticos e de saneantes; nas farmácias e drogarias, nos laboratórios de análises clínicas e toxicológicas, no controle de qualidade dos produtos, entre outras.
Temos que evitar que erros científicos e técnicos comprometam a saúde dos cidadãos que fazem uso de medicamentos, dos serviços dos laboratórios de análises clínicas e toxicológicas (confirmação dos diagnósticos das doenças) etc.
O ensino universitário de Farmácia, no Brasil, não é ruim. Apenas, ele vive um momento de efervescência, de expansão, mas, obviamente, de questionamentos quanto à sua qualidade. O novo, sempre, reserva reações contrárias e está sujeito a riscos de perda de qualidade. Esse torvelinho que está sacudindo as faculdades de Farmácia é soprado pelo crescimento do mercado farmacêutico e pelo aumento das necessidades de saúde da população. Esses fatos geraram uma expressiva demanda de farmacêuticos.
Junte-se a isso a profunda reforma que foi realizada no ensino de Farmácia, a qual resultou na criação das Diretrizes Curriculares, em 2002, responsáveis por arrancar o estudante de Farmácia das grades de um tecnicismo ultrapassado para levá-lo a outro rumo: o do conhecimento universal, do censo crítico, da sensibilidade para com as questões sociais.
Sobre a expansão da profissão farmacêutica, o empresariado do setor de ensino reagiu com a oferta explosiva do número de cursos de Farmácia. Mas o Conselho Federal de Farmácia está alerta ao fenômeno do crescimento, porque desconfia que, a reboque da expansão, possa estar havendo o comprometimento da qualidade. Por isso, o órgão vai criar um verdadeiro mutirão contra os cursos que não formarem bem.
O crescimento pode estar mais identificado ao mercantilismo voraz e ao interesse financeiro, do que ao conhecimento, ao ensino. Veja o leitor esses números: em 1996, os cursos eram apenas 88, em todo o País. Hoje, são 306, dos quais apenas 40 são de instituições públicas e 266, privadas. O aumento foi de 347%. Ao todo, os cursos disponibilizam 38.143 vagas, anualmente. Nos Estados Unidos, onde a população é duas vezes maior que a brasileira, há apenas 90 cursos de Farmácia. Já o Canadá, possui somente dez cursos. Ora! Estes números são um sinal amarelo.
Por isso, iremos monitorar e avalizar a qualidade do ensino em nível de graduação, e não o farmacêutico recém-formado. Para tanto, vamos investigar os currículos dos recém-formados, no momento em que forem aos Conselhos Regionais de Farmácia para obter os seus registros profissionais, sem os quais não podem exercer as suas atividades.
Se os mesmos revelarem deficiências curriculares e de qualificação, iremos orientar esses novos farmacêuticos, no sentido de que façam uma pós-graduação lato sensu ou stricto senso, uma especialização. E mais: iremos apresentar o resultado de nossa avaliação primeiramente à Faculdade de origem e cobrar que melhore a sua qualidade. Se persistir o quadro, nós a denunciaremos ao Ministério da Educação. Mas, antes – e principalmente - apresentaremos alternativas pedagógicas para oferecer às faculdades, com o objetivo de facilitar a sua adaptação ao processo de transformações no ensino.
A nossa intenção não é punir os farmacêuticos recém-formados, nem os cursos de Farmácia. Apenas queremos cumprir a nossa parte no contexto social e farmacêutico, ajudando a assegurar um bom ensino e, por conseguinte, proteger a saúde dos cidadãos que buscam os farmacêuticos. Temos que garantir o seu acesso a bons serviços profissionais, justo agora, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) insere esses serviços no PSF (Programa Saúde da Família).

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