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A Anvisa vai coibir venda de remédios sem receita

17/06/2009

Antibióticos podem ser reclassificados, para que a receita fique retida nas farmácias. Consumo indiscriminado de remédios provoca consequências graves.

Um hábito perigoso dos brasileiros está se transformando em um problema nacional de saúde pública. O costume de consumir remédios sem consultar um médico é antigo, difícil de ser combatido. Mas a automedicação tem provocado consequências muito graves.

É que a irresponsabilidade das drogarias acaba permitindo que as pessoas comprem e tomem antibióticos sem receita médica. Apesar do aviso em uma tarja vermelha, que proíbe a venda sem receita médica, é muito fácil comprar qualquer antibiótico nas farmácias. Um produtor do Jornal Nacional foi nesta quarta às ruas e comprovou.

- Eu esqueci a receita. Tem problema?
- É? De jeito nenhum.

Qualquer antibiótico é vendido sem problema.

- Amoxilina, a senhora tem?
- Comprimido?
- É, comprimido.

A venda indiscriminada de antibióticos está preocupando médicos, farmacêuticos e até dentistas. Eles se reuniram na sede do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo para discutir as melhores formas de explicar à população os riscos sobre o uso desses remédios, sem saber direito pra que servem.

“Não é raro que um paciente procure dizendo que fez uso de antiinflamatório e quando a gente pergunta qual a droga utilizada ele refere-se a um antibiótico”, disse Maria Lúcia Varelis, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, quase 70% das farmácias vendem antibióticos sem receita médica. Quem compra não acha nada demais. Acaba sendo uma forma mais fácil de resolver uma dor de garganta e febre mais alta sem precisar ir ao médico. Só que isso pode se transformar em um grande problema.

“O uso de antibióticos gera resistência e essa bactéria vai se disseminando de um para o outro. Então, mesmo aquele que nunca usou acaba tendo uma infecção resistente se o uso for muito disseminado na comunidade”, disse o infectologista Eitan Berezien.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária reconhece que não tem como fiscalizar as farmácias que vendem esses remédios sem receita. E pretende reclassificar os antibióticos como medicamentos especiais que são vendidos apenas quando a receita fica retida na farmácia.

“Tem que existir uma norma, uma resolução de diretoria colegiada que estabeleça as diretrizes para esse controle, para que deixe de existir essa venda sem a receita na farmácia”, disse o representante da Anvisa.

Fonte: Jornal Nacional

Site: http://jornalnacional.globo.com/

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