Genéricos mais caros? Veja como conseguir descontos
17/11/2009
Basta pesquisar na hora de comprar medicamentos: em alguns casos os preços dos genéricos são mais altos do que dos remédios similares ou os de referência, também chamados medicamentos de marca. Justamente os genéricos, que foram lançados no mercado para aliviar o bolso do consumidor.
Na hora da compra, vale a pesquisa, comparação de preços, a indicação do médico e do farmacêutico e a compra em uma Farmácia Popular quando o produto é oferecido. No Espírito Santo, esse projeto está presente em Alegre, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Vitória e Cariacica.
No Estado, há vários exemplos. Em uma farmácia da Grande Vitória, o medicamento omeprazol, utilizado para tratamento de gastrite, pode ser comprado por R$ 39,10 (genérico) ou R$ 24,90 o de marca. O mesmo ocorre com remédios que contem o princípio ativo Sinvastatina. O genérico custa R$ 41,50, enquanto o de referência (de marca), R$ 32,13.
Pelos descontos oferecidos pelos laboratórios, esse cenário deveria ser diferente. Segundo o farmacêutico Willian Cola, alguns deles oferecem até 50% nos genéricos. Mas esse desconto não chega até o consumidor.
"São os genéricos e o setor de perfumaria que mantém as portas das farmácias abertas", diz, em relação à margem de lucro mais alta do genérico em relação ao remédio de marca. Cola diz ainda que a margem de lucro das farmácias é baixo e gira algo em torno dos 3,5% ou 4%.
Para entender como o preço do remédio popular pode ser mais alto do que um remédio similar (que tem marca mas não é o produto de referência), é preciso falar da patente. Uma empresa farmacêutica investe em pesquisa e tecnologia na busca de um novo medicamento, segundo o farmacêutico Willian Cola.
Ao lançar o produto, o laboratório tem a garantia de que o remédio não será "copiado" durante um período. O problema é que o genérico é produzido para competir com o produto original, ou seja, com a primeira marca lançada. E essa marca agrega o custo da produção, o preço da propaganda e da pesquisa.
Com a queda da patente, outros laboratórios passam a fabricar o mesmo remédio. Esses chegam ao mercado com custo inferior, em muitos casos, ao do próprio genérico.
Cola exemplifica essa situação com o medicamento cujo princípio ativo é a Lamotrigina. Esse remédio foi lançado com o nome Lamictal.
O presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Carlos Bragança, explica que o preço dos medicamentos de marca obedecem ainda à lógica do mercado. "Quando grandes redes compram direto da indústria e não passam pelo distribuidor, é possível que o preço final do produto cheque mais baixo ao consumidor".
Veja as definições entre os medicamentos
GENÉRICOS. O medicamento genérico é aquele que contém o mesmo fármaco (pincípio ativo), na mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela mesma via e com a mesma indicação terapêutica do medicamento de referência no país, apresentando a mesma segurança que o medicamento de referência no país. O Ministério da Saúde, por meio da Anvisa, avalia os testes de bioequivalência entre o genérico e seu medicamento de referência, apresentados pelos fabricantes, para comprovação da sua qualidade. A bioequivalência assegura que o medicamento genérico é equivalente terapêutico do medicamento de referência, ou seja, que apresenta a mesma eficácia clínica e a mesma segurança em relação ao mesmo.
Similares. Os similares são medicamentos que possuem o mesmo fármaco, a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência (ou marca), mas não têm sua bioequivalência com o medicamento de referência comprovada.
Referência. Também chamados de remédios de marca, são, normalmente, medicamentos inovadores, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente, por ocasião do registro junto ao Ministério da Saúde, através da Anvisa. São os medicamentos que, geralmente, se encontram há bastante tempo no mercado e tem uma marca comercial conhecida.
Saiba como economizar
Orientação médica. A primeira recomendação dos especialistas é sempre obedecer a orientação do médico. Afinal, gastar menos dinheiro e não resolver o problema poderá acarretar prejuízos, no futuro, não apenas para o bolso, com a compra de novos remédios, mas principalmente para a saúde.
Fidelidade. Clientes fieis tem vantagens. Muitas farmácias oferecem descontos para aqueles consumidores que optam pelas compras sempre no mesmo estabelecimento. Converse com os atendentes e farmacêuticos sobre essa possibilidade.
Pesquisa. Tire um tempo para a pesquisa de preços. A maior parte das farmácias atendem a essa demanda mesmo por telefone. Faça a comparação.
Troca. Pergunte ao médico e ao farmacêutico a possibilidade de troca de um medicamento por um similar ou genérico. Faça pesquisa de preços para averiguar qual sairá mais em conta.
Popular. Farmácias populares podem render um alívio para o bolso. No Estado é possível encontrá-las em Cacheiro de Itapemirim, Alegre, Linhares, Vitória, além de dois em Cariacica. Há ainda, em vários estabelecimentos conveniados, remédios para o tratamento de diabetes, hipertensão além de anticoncepcionais.