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FARMÁCIAS NÃO REPASSAM DESCONTOS

16/11/2009

As farmácias brasileiras estão crescendo graças às elevadas margens de lucro na venda de medicamentos genéricos. Levantamento publicado ontem pela F. de São Paulo mostra que elas compram esses remédios dos laboratórios com um desconto médio de 65% sobre o preço máximo estabelecido pelo governo para os fabricantes.

Mas esse desconto não chega integralmente ao consumidor. No ponto de venda, varia de 10% a 20% sobre o preço máximo estabelecido pelo governo para as farmácias, em média.

O preço dos medicamentos no Brasil, genéricos e de marca, é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). Pela tabela do órgão, a diferença entre o preço máximo estabelecido para o fabricante e o preço máximo ao consumidor é de 30%.

Portanto, um medicamento que custa no máximo R$ 10 na fábrica deve ser vendido a R$ 13 para o consumidor. Mas a farmácia compra o produto por R$ 3,50 (65% de desconto). Se ela concede desconto de 20% sobre o preço máximo ao consumidor, o medicamento sai por R$ 10,40 -uma diferença de 200% em relação ao preço de custo do produto. Embora não seja ilegal, a prática é questionada por fabricantes.

A lei também diz que os genéricos devem custar 35% menos que os medicamentos de referência. Mas há casos em que a concorrência é tão grande que remédios de marca chegam a custar menos que os genéricos. É o que acontece com o redutor de apetite Sibutramina, cuja marca de referência é o Reductil (da Abbott). Algumas marcas similares do redutor, como Biomag (laboratório Biosintética) e Sibus (Eurofarma), custam menos que genéricos.

 Valor

O presidente da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, reconhece que os laboratórios dão descontos, mas diz que eles chegam a 70% "apenas em casos isolados". Barreto afirma ainda que o preço médio cobrado pelas farmácias representa desconto de 10% sobre o máximo estabelecido pelo governo.

Os genéricos foram criados em 1999 com um caráter social, para promover o acesso aos medicamentos. Ao introduzir controles rígidos de fabricação, a política foi também responsável pelo fortalecimento dos laboratórios nacionais.

Hoje eles são alvo de cobiça por parte de grandes multinacionais, como a Sanofi-Aventis, que no ano passado adquiriu o Medley por R$ 1,5 bilhão. O mercado de genéricos movimenta R$ 3,4 bilhões ao ano.

Fonte:

A Gazeta – 16/11/2009

Economia (Brasil)

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