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Farmacêutico está mais próximo do cliente

17/06/2010

Tendência que permite ao profissional acompanhar o tratamento na drogaria começa a chegar ao Brasil.

Aproximar os farmacêuticos dos tratamentos feitos pelos clientes das drogarias vem, pouco a pouco, tornando-se uma preocupação da categoria brasileira. O movimento, chamado “atenção farmacêutica”, existe nos EUA desde os anos 1990 e acaba de chegar à capital paulista, numa iniciativa pioneira de uma rede de drogarias.

A proposta é que os farmacêuticos acompanhem o paciente durante a compra de remédios receitados pelo médico e avaliem se a dose está correta, se aqueles remédios poderão dar algum tipo de efeito colateral, qual o horário que o paciente deve ingerir o comprimido e se deve tomá-lo com água ou com leite, por exemplo. O profissional ainda explicará quais as idades recomendadas para aquele tipo de droga e se há interação entre dois ou mais tipos de medicamentos, o que poderia prejudicar seu funcionamento.

“Se houver algum tipo de problema, é papel do farmacêutico entrar em contato com o médico e conversar sobre o caso, mas sem alterar a medicação, nem mudar nada que o médico tenha indicado. É um trabalho desenvolvido em equipe”, explica Marcelo Polacow, vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.

Segundo ele, a aproximação da categoria com os clientes vem sendo possível após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentar, em fevereiro último, uma nova legislação para os farmacêuticos.

“Até então, como não havia nada regulamentado, muitos profissionais tinham receio de se aproximar dos clientes. Além disso, sempre houve resistência dos proprietários das farmácias. O foco das drogarias por muito tempo foi o comércio. Hoje o farmacêutico entrega o remédio e manda o cliente para o caixa. Estamos começando a mudar este conceito”, diz Marcelo.

Abordagem, só com aval

Como ainda não estão muito acostumados a uma relação mais abrangente com o farmacêutico, os clientes só participarão do novo projeto se demonstrarem interesse.

“Os farmacêuticos fizeram um treinamento técnico inclusive para abordarem o cliente sem serem invasivos”, explica Eduardo Adrião, gerente de Drogarias do Grupo Pão de Açúcar. O programa será implantado, de forma pioneira, em dez unidades da Drogaria Extra neste mês.

Ao procurar a unidade para comprar os remédios, o cliente será entrevistado sobre seu histórico de saúde e os dados serão registrados num programa. O farmacêutico poderá avaliar o cliente várias vezes durante o tratamento. Segundo Eduardo, a proposta não é interferir na atuação do médico. “A ideia não é substitui-lo, mas apoiar o tratamento”, diz o gerente.

Fonte 15/06/2010 - Diário de S. Paulo

 

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